30
Sep
13

Migrando

Migrando novamente para outro endereço: multinudez.wordpress.com

20
Dec
12

contemplation

To defy the sunlight with our eyes
when poetry overwhelms the senses
is a joyful self-inflicted pain.

For a moment we are able to see
the playful malignity of what’s above
even though our eyes are sore.

There is just this blank feeling
of a sultry foam white — a magnificent
soft sand touch of ancient times.

It’s not like a still late afternoon
when cars enlighten the land
caressing our sight —

The golden watch is sublime,
suntuous as an emperor
never to be fully seen or undressed.

We slowly burn on the inside for hours
waiting for the touch of the heavy hand in black.
The counterpart is a delight for the blind.

I’m always the bare chalice
eager for the pagan rain.
My soul is the sunset…

11
Nov
12

tus ojos

Tus ojos son la patria del relámpago y de la lágrima,
silencio que habla,
tempestades sin viento, mar sin olas,
pájaros presos, doradas fieras adormecidas,
topacios impíos como la verdad,
o toño en un claro del bosque en donde la luz canta en el hombro de un árbol y son pájaros todas las hojas,
playa que la mañana encuentra constelada de ojos,
cesta de frutos de fuego,
mentira que alimenta,
espejos de este mundo, puertas del más allá,
pulsación tranquila del mar a mediodía,
absoluto que parpadea,
páramo.

[Octavio Paz]

08
Nov
12

no silêncio disfarçado de discurso
observamo-nos, detalhistas…
não há distração que se apresente
acessível, não há tentação
que permita um desvio…
permaneço incólume de devaneios —
e a constatação é assombrosa.
toda situação é um novo ensejo,
toda sentença se faz inebriante;
assim é a luxúria do conhecimento
que me deixa toda esparsa…
as tuas palavras fragmentam
minha percepção do impossível;
fico talhando as paredes com o olhar,
contendo toda minha selvageria…

[…]

há uma grande eloquência em ouvir;
eu ouço como quem confessa.

tudo se acumula nas entrelinhas.
no ápice do tremor,
no prelúdio do impulso,
há uma (in)sanidade que não cessa…

outubro/2012 – primeira versão

30
Oct
12

[…]
I am insane, craving for the liquor of your lips!
Though my thoughts are caged, I’m exposed,
you feed my thirst without noticing…

…trapped within doubt and shame, I hunger for thy touch with the fiercest of lusts

23
Oct
12

dionisíaco

Tua mudez é a mais sincera expressão de um medo que se mantem abafado pelas paredes de teu corpo imponente, eu suspiro como quem sonha, contendo meus pensamentos insalubres, minha estupidez me impele ao jogo, minha devassidão não vê limites, não perdoa convenções, despreza a comodidade dos dias, é tudo evidentemente muito complexo, minha mente se manifesta em desaprovação, ela me contempla com um gesto de não, mas com toda essa luxúria doentia acabo me lançando às bipolaridades do relativo, minha carne estremece em silêncio, minha matéria me abandona à sorte do teu olhar inconformado. Os momentos seguros, mas já não tão puros, me saúdam com um sorriso de malícia impertinente, não há como negar a magnitude do teu olhar, não vejo meios de repelir a paixão de teus movimentos embevecidos pelo conhecimento do proibido, sinto as horas passarem como um impulso contido, como aquele meu impulso infeliz sempre reprimido na calmaria, e logo me vejo ao alcance dos almejos de te observar novamente; eu me almadiçôo constantemente desde que me percebi acometida por este redemoinho de lascívia, tento me desvencilhar em vão das garras dos deuses pagãos, tentei, acredite, tentei veementemente abandonar o absurdo de meus desejos… é isso, sim, é isso, imagino as situações mais diversas nas quais me apodero da tua boca num ímpeto de sofreguidão, momentos nos quais eu possa cobrir teus olhos com meu corpo vil cheio de tempo e de sensações conflituosas. Vem, degusta do meu fardo, adentra os caminhos da minha inquietude, afaga meus anseios de devassa, sorve minha matéria conturbada com a tua imensidão! Minha visão fica turva perante o teu caminhar desconcertado, dói-me a tua presença indiscreta, dói-me teu sorriso de compreensão soterrada! Eu inspiro teus silêncios como quem compreende o temor do inevitável, deixa que o extraordinário te enalteça, deixa-me te despir dessa expressão sóbria, deixa-me diluir essa energia altiva, a liberdade te implora um instante de verdadeira imersão, o amanhã não importa, este sorriso há de se manter impassível à mudança das horas!

Tua voz é um ditirambo ensurdecedor que me deixa indefesa e satisfeita, como num torpor de viciada…

22
Oct
12

pusilânime

Um pusilânime em convulsão grita dentro de mim
debatendo-se contra minhas entranhas,
causando as piores sensações,
distanciando-me de paixões.
Tudo se manifesta com um temor:
a fala estremece involuntariamente
e a face manifesta um indiscreto rubor.
Esta dor me carrega nas costas há tanto
que nem sei mais onde tudo começou…

Reviro o passado incompleto, arriscando
a sorte nesta caixa proibida,
mas ainda não consegui compreender
donde vem tamanho pavor.
O medo corroi as extremidades destas mãos
inchadas pela insistência de hábitos;
meu olhar se veste de licores variados
que degusto lentamente quando este fardo vira rancor.

Essa incompreensibilidade é doentia!
Meus desejos e meus pensamentos emanam,
mas não há audácia que me tire
destas algemas de silêncio…
Meu cérebro busca frases,
numa tentativa vã de expressão,
mas a língua se encolhe,
recusando a exposição.

A caneta consola quando a fala me abandona,
a consciência é um golpe neste cancro que ressoa…




De que cor será sentir? F.P.

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